Por que o verso? Para quê nos atermos às formas já conhecidas? Já entendemos o verso em cada linha, a estrofe, mas o que há de novo? O fato é que não há uma forma fixa e preestabelecida para a poesia, e escrever dentro das formas não é necessariamente fazer poesia. Às vezes, temos grandes idéias, mas perdemos muito tempo tentando colocá-las dentro de uma estrutura muito estreita, com rimas, versos ou ritmo. É necessário principalmente estar disposto a errar na escolha da forma.
Tampouco a poesia é uma questão de gosto ou opinião. O fato é que poesia é uma matéria desconhecida, assim como o nosso cotidiano, que podemos organizar de uma determinada maneira de modo a nos fazer sentir seguros ou confortáveis, entretanto, com o risco de perder aquilo que há de mais poético nele. Não sabemos fazer poesia até que ela surja à nossa frente como forma inusitada de expressão.
Quem está trilhando o caminho da literatura, porque não tentar este exercício; antes de colocar no papel as linhas de um novo poema, procurar por uma forma totalmente inusitada, algo que ainda não tenha visto no papel de outros. Não somente no que é dito ou no modo de dizer, mas também na maneira como se dispõe as palavras no papel e o seu conteúdo. Experimente também dizer tudo de uma outra maneira. Lembro-me de um amigo, aliás que não era propriamente um poeta em ofício, dizer que a tristeza era como uma unha de velha, e o amor como uma rosa deixada na beira da porta.
O mundo já está repleto das velhas formas. O nosso compromisso com a língua é torná-la sempre renovada, paras as próximas gerações.
Tags:
Permalink Responder até Celso Corrêa de Freitas em 7 janeiro 2011 at 22:31
A ideia é interessante...
Pela língua, podemos bucar uma nova forma de escrever a palavra amar.
pela língua podemos ir a fundo para buscar uma nova forma de existir.
Só a língua pode nos salvar!
Ela é que enfim vai nos redimir,
quando não conseguirmos mais gozar.
Afinal, a vida não é nada mais que um instante.
Permalink Responder até Fernandes Oliveira em 8 janeiro 2011 at 10:07
Sua discussão intriga e traz-nos a outros questionamentos.
Por que escrevemos?
Para quem escrevemos e como?
Penso, num primeiro momento que o fazer poético como exercício de expressão é válido, também acredito que o texto versificado, ritmado, rimado ou não, em suma, vem para transpor ao mundo uma concepção de realidade. O poeta em si, pensa, divaga e até muitas vezes viaja, em terras que muitos sequer ousam pisar. O fazer poético se justifica a medida que a impressão do pensamento/sentimento traga, à luz da consciencia, uma visão abstrata sobre realidade. E essa tentativa de interferência na vida real por meio das palavras o obriga a sempre buscar novas formas, maneiras e inovadas estruturas para que seu pensamento passe não a ser mero lugar-comum no cotidiano, mas que tenha destaque. O poeta/artista muitas vezes se utiliza dos códigos para se auto-afirmar como ser , não apenas integrante da sociedade, mas também como sujeito capaz de interverir e quem sabe, até modificá-la através de sua arte.
Permalink Responder até Vylma em 8 janeiro 2011 at 22:24
...
Chega mais perto e contempla as palavras.
Cada uma
tem mil faces secretas sob a face neutra
e te pergunta, sem interesse pela resposta,
pobre ou terrível, que lhe deres:
Trouxeste a chave?
Procura da Poesia
Carlos Drummond de Andrade
.....................
Exponere
Vento varrendo a praia,sal impregnando o mar
fogo em raios solares nas fugas do real.
Na pele a marca do tempo,
a vida de tanto sonhar - quietare -
palavras e sentimentos explodem
nas mãos,papel e grafite,
para nao sufocar.
vylmaguymaraes
“O riso acabou quando o artista desceu do picadeiro
e me entregou o nariz de palhaço”
"O verso"
O que é o verso
Se não, o transmitir de um pensar
O que é o verso
Senão a arte de saber rimar
A beleza de expressar
Emoção e sentimento
Na pureza da alma
E no trilhar do pensamento
O que é o verso
Se não a flor, a lágrima, a dor
Amor, ódio ou rancor
O que é o verso
Verdade, ilusão
Sonho, pesadelo, ficção
Um labirinto de encanto
Na mais perfeita junção
De escrita e sentimento
É um arco a brilhar no céu
Após a chuva, o trovão, o vento
O que é o verso
Senão as brancas ondas do mar
Ou a nuvem a se mover
Formando desenhos no ar
O verso, é a beleza
No coração de quem vê
No olhar do analfabeto
A vontade de escrever
Permalink Responder até Ludimar Gomes Molina em 19 abril 2011 at 19:12
“O riso acabou quando o artista desceu do picadeiro
e me entregou o nariz de palhaço”
"O verso"
O que é o verso
Se não, o transmitir de um pensar
O que é o verso
Senão a arte de saber rimar
A beleza de expressar
Emoção e sentimento
Na pureza da alma
E no trilhar do pensamento
O que é o verso
Se não a flor, a lágrima, a dor
Amor, ódio ou rancor
O que é o verso
Verdade, ilusão
Sonho, pesadelo, ficção
Um labirinto de encanto
Na mais perfeita junção
De escrita e sentimento
É um arco a brilhar no céu
Após a chuva, o trovão, o vento
O que é o verso
Senão as brancas ondas do mar
Ou a nuvem a se mover
Formando desenhos no ar
O verso, é a beleza
No coração de quem vê
No olhar do analfabeto
A vontade de escrever
engraçado. hoje mesmo por acaso encontrei em minha caixa de e-mail uma mensagem do autor deste site, me convidando para visitar sua página. acho que, de maneira bastante particular, ele chegou perto do que quis dizer.
poemas bonitos galera. mas que tal um pouco de subversão? por exemplo, que tal escrever um poema sobre o verso sem as palavras verso, beleza, letra, palavra, linguagem?
este aqui é o endereço do site, para quem quiser dar uma espiada. abraços
Permalink Responder até Fernanda Maria Rocha Mesquita em 28 março 2012 at 6:26
A importância do verso?
O verso é o lugar onde o sentimento do poeta desagua. É o grito obrigatoriamente livre das entranhas do poeta. É a história da raiz do sentimento que o impele a escrever. Como pode a raiz do sentimento, desaguar numa folha geometricamente concedida para prender a liberdade de expressão da poesia, nascendo esta para ser livre? Se não for livre, jamais será poesia. Aprender é bom, por isso vamos à escola e procuramos depois disso, continuar a aprender. Mas todos herdamos o direito de moldarmos o que aprendemos ao exercício fiel de sermos quem somos, para que não vivamos algemados, mas sim ativos na nossa liberdade individual. A única prisão de que deveremos fazer parte, é a permanente necessidade de explorar o berço das palavras e transformá-las em fiéis réplicas de sentimentos, lugares e vivências. A forma, deve ser um pouco de tudo aquilo que aprendemos com tudo o que queremos dizer, quer o resultado seja um verso bem elaborado ou não. O que não pode é perder a autenticidade do autor, que ao escrever quer partilhar e ao partilhar não pode fazer crer ao leitor que o que lê, é o resultado de um rigoroso trabalho técnico e um conjunto de palavras que apenas são a sombra da verdadeira expressão do poeta. Deixo aqui quatro versos ao amor, escritos por poetas diferentes, onde a utilização da rima e a não utilização, não rouba a autenticidade dos autores, porque eles não deixaram que a construção física de um verso se sobrepusesse à autenticidade da sua mensagem.
---
Amor é um fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer.
(Luís de Camões)
---
Amar por mil razões e sem razão.
Amar, só por amar,
com os nervos, o sangue, o coração.
Viver em cada instante a eternidade
e ver, na própria sombra, claridade.
(Fernanda de Castro)
---
Amor é síntese
É uma integração de dados
Não há que tirar nem pôr
Não me corte em fatias
Ninguém consegue abraçar um pedaço
Me envolva todo em seus braços
E eu serei o perfeito amor.
(Mário Quintana)
---
O amor
é uma ave a tremer
nas mãos de uma criança.
Serve-se de palavras
por ignorar
que as manhãs mais limpas
não têm voz.
(Eugénio de Andrade)
---- gostei da ideia
Fernanda R. Mesquita
Que interessante colocação Henrique!
Abraços
Permalink Responder até Ludimar Gomes Molina em 4 abril 2012 at 16:03
Recentemente fui jurada de um concurso nacional de poesia. (Cine-Poesia)
As pessoas assistiam a um filme que se originou de um livro e criavam
seus poemas baseados em alguma cena do filme, numa sequência do mesmo, enfim...
Um concorrente escolheu escrever sobre o filme: " Entrevista com vampiro"
O poema que essa pessoa mandou tinha apenas um verso, mas era uma citação
tão complexa, tão elucidativa, tão impactante, que obteve excelentes notas ficando
entre as melhores colocadas.
Esse exemplo deixa claro o que é um verso.
Permalink Responder até Ludimar Gomes Molina em 4 abril 2012 at 16:17
Então, era um verso mesmo, ou seja, uma linha.
Permalink Responder até Sonia Maria Piologo em 21 abril 2012 at 22:18
Eu creio que ser poeta é deixar que o coração dite palavras que se derramarão no papel, independente de escolha de regras de escritas e formatos. Não dá pra seguir modelos, técnicas já que serão comandadas pelo sentimento, pela sensibilidade, pelo coração. Ser poeta é ser diferente, de alguém que escreve uma carta, onde colocamos o local, a data, e iniciamos : Querido fulano de tal.... Ser poeta é muito mais... E transmitir, se comunicar através da alma com a alma...
Permalink Responder até Cléo Reis em 21 abril 2012 at 23:03
PASSAGEIRO DA ARTE de Poetar ...
Dê-me a sua mão
passageiro!
E vamos pelo mundo
ultrapassar barreiras...
Dê-me a sua mão,
e vamos fazer do verso
a maior ponte.
Dê-me o seu olhar,
o seu afeto, seus ideais.
Vamos juntos poetar
e transformar o mundo
com palavras fortes e lindas,
onde todos os sonhos
possam desabrochar...
do livro FLORESCER Poesias e Reflexões-1998
http:// cleoreispazepoesia.blogspot.com/
Caro associado e/ou visitante caso deseje colaborar com a manutenção da rede e despesas da entidade
ou clique no link Doação
Iniciado por henrique rishi em Não-categorizado. Última resposta de Licia Falcão Rodrigues da Silva 19 Jul, 2012. 15 Respostas 3 Curtiram isto
Iniciado por Celso Corrêa de Freitas em Não-categorizado. Última resposta de Adilson Lopes Machado 16 Abr. 6 Respostas 1 Curtiu isto
Iniciado por Joaquim Moncks em Não-categorizado. Última resposta de Fernandes Oliveira 16 Abr, 2010. 5 Respostas 1 Curtiu isto
© 2013 Criado por Fernandes Oliveira.
