Por que o verso? Para quê nos atermos às formas já conhecidas? Já entendemos o verso em cada linha, a estrofe, mas o que há de novo? O fato é que não há uma forma fixa e preestabelecida para a poesia, e escrever dentro das formas não é necessariamente fazer poesia. Às vezes, temos grandes idéias, mas perdemos muito tempo tentando colocá-las dentro de uma estrutura muito estreita, com rimas, versos ou ritmo. É necessário principalmente estar disposto a errar na escolha da forma.
 Tampouco a poesia é uma questão de gosto ou opinião. O fato é que poesia é uma matéria desconhecida, assim como o nosso cotidiano, que podemos organizar de uma determinada maneira de modo a nos fazer sentir seguros ou confortáveis, entretanto, com o risco de perder aquilo que há de mais poético nele. Não sabemos fazer poesia até que ela surja à nossa frente como forma inusitada de expressão.
Quem está trilhando o caminho da literatura, porque não tentar este exercício; antes de colocar no papel as linhas de um novo poema, procurar por uma forma totalmente inusitada, algo que ainda não tenha visto no papel de outros. Não somente no que é dito ou no modo de dizer, mas também na maneira como se dispõe as palavras no papel e o seu conteúdo. Experimente também dizer tudo de uma outra maneira. Lembro-me de um amigo, aliás que não era propriamente um poeta em ofício, dizer que a tristeza era como uma unha de velha, e o amor como uma rosa deixada na beira da porta. 
O mundo já está repleto das velhas formas. O nosso compromisso com a língua é torná-la sempre renovada, paras as próximas gerações.

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Respostas a este tópico

A ideia é interessante...

Pela língua, podemos bucar uma nova forma de escrever a palavra amar.

pela língua podemos ir a fundo para buscar uma nova forma de existir.

Só a língua pode nos salvar!

Ela é que enfim vai nos redimir,

quando não conseguirmos mais gozar.

 

Afinal, a vida não é nada mais que um instante.

Sua discussão intriga e traz-nos a outros questionamentos.

Por que escrevemos?

Para quem escrevemos e como?

Penso, num primeiro momento que o fazer poético como exercício de expressão é válido, também acredito que o texto versificado, ritmado, rimado ou não, em suma, vem para transpor ao mundo uma concepção de realidade. O poeta em si, pensa, divaga e até muitas vezes viaja, em terras que muitos sequer ousam pisar. O fazer poético se justifica a medida que a impressão do pensamento/sentimento traga, à luz da consciencia, uma visão abstrata sobre realidade. E essa tentativa de interferência na vida real por meio das palavras o obriga a sempre buscar novas formas, maneiras e inovadas estruturas para que seu pensamento passe não a ser mero lugar-comum no cotidiano, mas que tenha destaque. O poeta/artista muitas vezes se utiliza dos códigos para se auto-afirmar como ser , não apenas integrante da sociedade, mas também como sujeito capaz de interverir e quem sabe, até modificá-la através de sua arte.

 

sabe essa rima que falta no último verso
ela não se encontrava nos meandros
nem tampouco nos meus interiores
eu a busquei tanto que sofri por não encontrá-la
eu a queria tanto que deturpei a métrica,
ofendi a estrutura sonora,
empobreci toda uma obra
por conta de uma mera aliteração,
e as flores que antes foram citadas,pederam todo o aroma
irrita-me agora apenas o fato de pensar em flores,
pois quem pensa em flores às vezes o pensa sem razão,
e comete vários erros e não me julgo mais humano por errar
mas mais feliz por ser livre para errar
o que me prende ao solo é apenas a metafísica,
e meu olhar não se prende a nada e a tudo se perde
e o meu eu viaja flutua e se insinua para mim mesmo
que me encanta,acaricia-me com mentiras indeléveis
e se esvai como a falsa sensação do beijo, e aspira ainda mais o beijo
que não se contém em si por recebê-lo,
hoje eu não queria escrever, não por medo
não por preguiça e ainda assim
há de pecorrer todo o universo
este, odioso e vulgar escrito,
e eu que pensava antes que era entendido,
que era fácil, que era realmente lido
eu pensava que era irreverente,
e sabia que não dava o melhor de mim
hoje infelizmente para tristeza de todos
eu até acreditei ser poeta.
POETAFERNANDES Publicado no Recanto das Letras em 13/05/2007

 

 

...

 

Chega mais perto e contempla as palavras.
Cada uma
tem mil faces secretas sob a face neutra
e te pergunta, sem interesse pela resposta,
pobre ou terrível, que lhe deres:
Trouxeste a chave?


Procura da Poesia

Carlos Drummond de Andrade

 

.....................

Exponere


Vento varrendo a praia,sal impregnando o mar

fogo em raios solares nas fugas do real.


Na pele a marca do tempo,

a vida de tanto sonhar - quietare -

palavras e sentimentos explodem


nas mãos,papel e grafite,

para nao sufocar.

vylmaguymaraes

 



                  “O riso acabou quando o artista desceu do picadeiro

                         e me entregou o nariz de palhaço”

 

 

                    "O verso"

O que é o verso

Se não, o transmitir de um pensar

O que é o verso

Senão a arte de saber rimar

A beleza de expressar

Emoção e sentimento

Na pureza da alma

E no trilhar do pensamento

O que é o verso

Se não a flor, a lágrima, a dor

Amor, ódio ou rancor

O que é o verso

Verdade, ilusão

Sonho, pesadelo, ficção

Um labirinto de encanto

Na mais perfeita junção

De escrita e sentimento

É um arco a brilhar no céu

Após a chuva, o trovão, o vento

O que é o verso

Senão as brancas ondas do mar

Ou a nuvem a se mover

Formando desenhos no ar

O verso, é a beleza

No coração de quem vê

No olhar do analfabeto

A vontade de escrever

 



elton alexandre pereira dos sant disse:


                  “O riso acabou quando o artista desceu do picadeiro

                         e me entregou o nariz de palhaço”

 

 

                    "O verso"

O que é o verso

Se não, o transmitir de um pensar

O que é o verso

Senão a arte de saber rimar

A beleza de expressar

Emoção e sentimento

Na pureza da alma

E no trilhar do pensamento

O que é o verso

Se não a flor, a lágrima, a dor

Amor, ódio ou rancor

O que é o verso

Verdade, ilusão

Sonho, pesadelo, ficção

Um labirinto de encanto

Na mais perfeita junção

De escrita e sentimento

É um arco a brilhar no céu

Após a chuva, o trovão, o vento

O que é o verso

Senão as brancas ondas do mar

Ou a nuvem a se mover

Formando desenhos no ar

O verso, é a beleza

No coração de quem vê

No olhar do analfabeto

A vontade de escrever

 

engraçado. hoje mesmo por acaso encontrei em minha caixa de e-mail uma mensagem do autor deste site, me convidando para visitar sua página. acho que, de maneira bastante particular, ele chegou perto do que quis dizer.
poemas bonitos galera. mas que tal um pouco de subversão? por exemplo, que tal escrever um poema sobre o verso sem as palavras verso, beleza, letra, palavra, linguagem?

este aqui é o endereço do site, para quem quiser dar uma espiada. abraços

http://dragoesdejorge.zip.net/ 

A importância do verso?
O verso é o lugar onde o sentimento do poeta desagua. É o grito obrigatoriamente livre das entranhas do poeta. É a história da raiz do sentimento que o impele a escrever. Como pode a raiz do sentimento, desaguar numa folha geometricamente concedida para prender a liberdade de expressão da poesia, nascendo esta para ser livre? Se não for livre, jamais será poesia. Aprender é bom, por isso vamos à escola e procuramos depois disso, continuar a aprender. Mas todos herdamos o direito de moldarmos o que aprendemos ao exercício fiel de sermos quem somos, para que não vivamos algemados, mas sim ativos na nossa liberdade individual. A única prisão de que deveremos fazer parte, é a permanente necessidade de explorar o berço das palavras e transformá-las em fiéis réplicas de sentimentos, lugares e vivências. A forma, deve ser um pouco de tudo aquilo que aprendemos com tudo o que queremos dizer, quer o resultado seja um verso bem elaborado ou não. O que não pode é perder a autenticidade do autor, que ao escrever quer partilhar e ao partilhar não pode fazer crer ao leitor que o que lê, é o resultado de um rigoroso trabalho técnico e um conjunto de palavras que apenas são a sombra da verdadeira expressão do poeta. Deixo aqui quatro versos ao amor, escritos por poetas diferentes, onde a utilização da rima e a não utilização, não rouba a autenticidade dos autores, porque eles não deixaram que a construção física de um verso se sobrepusesse à autenticidade da sua mensagem.
---
Amor é um fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer.
(Luís de Camões)
---
Amar por mil razões e sem razão.
Amar, só por amar,
com os nervos, o sangue, o coração.
Viver em cada instante a eternidade
e ver, na própria sombra, claridade.
(Fernanda de Castro)
---
Amor é síntese
É uma integração de dados
Não há que tirar nem pôr
Não me corte em fatias
Ninguém consegue abraçar um pedaço
Me envolva todo em seus braços
E eu serei o perfeito amor.

(Mário Quintana)

---
O amor
é uma ave a tremer
nas mãos de uma criança.
Serve-se de palavras
por ignorar
que as manhãs mais limpas
não têm voz.

(Eugénio de Andrade)

---- gostei da ideia

Fernanda R. Mesquita

Que interessante colocação Henrique!

Abraços

Recentemente fui jurada de um concurso nacional de poesia. (Cine-Poesia)

 As pessoas assistiam a um filme que se originou de um livro e criavam

seus poemas baseados em alguma cena do filme, numa sequência do mesmo, enfim...

Um concorrente escolheu escrever sobre o filme: " Entrevista com vampiro"

O poema que essa pessoa mandou tinha apenas um verso, mas era uma citação

tão complexa, tão elucidativa, tão impactante, que obteve excelentes notas ficando

 entre as melhores colocadas.

Esse  exemplo deixa claro o que é um verso.

 

 

 

Então, era um verso mesmo, ou seja, uma linha.

 

Eu creio que ser poeta é deixar que o coração dite palavras que se derramarão no papel, independente de escolha de regras de escritas e formatos. Não dá pra seguir modelos, técnicas já que serão comandadas pelo sentimento, pela sensibilidade, pelo coração. Ser poeta é ser diferente, de alguém que escreve uma carta, onde colocamos o local, a data, e iniciamos : Querido fulano de tal.... Ser poeta é muito mais... E transmitir, se comunicar através da alma com a alma...

 

PASSAGEIRO DA ARTE    de Poetar ...

   

Dê-me a sua mão

    passageiro!

E vamos pelo mundo

    ultrapassar barreiras...

Dê-me a  sua mão,

    e vamos fazer do verso

    a maior ponte.

Dê-me o seu olhar,

    o seu afeto, seus ideais.

Vamos juntos poetar

    e transformar o mundo

com palavras fortes e lindas,

onde todos os sonhos

possam desabrochar...

 

             do livro  FLORESCER  Poesias e Reflexões-1998

 http:// cleoreispazepoesia.blogspot.com/

 

 

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